A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) tem assumido um papel estratégico que vai além da segurança física. Hoje, a comissão atua diretamente na identificação de riscos psicossociais, como assédio moral, pressão excessiva e conflitos recorrentes, que podem comprometer a saúde mental dos trabalhadores e impactar o desempenho das empresas.
Para a engenheira de segurança do trabalho Lizandra Bentes, da Agility Engenharia, a CIPA passou a ser uma ferramenta essencial na prevenção desses problemas. “A comissão funciona como um elo entre a gestão e os colaboradores, permitindo que situações de risco sejam percebidas e tratadas antes que se tornem crises”, explica.
Lizandra destaca que a atuação da CIPA ganha ainda mais importância com a consolidação da NR-01, norma que reforça a gestão contínua de riscos ocupacionais e inclui explicitamente os riscos psicossociais como parte do Gerenciamento de Riscos. “Não se trata apenas de cumprir uma exigência legal. A NR-01 exige que as empresas tenham uma visão estratégica da prevenção, incluindo aspectos psicológicos e emocionais do trabalho”, afirma.
Segundo a especialista, a integração entre CIPA, gestão e SESMT permite criar canais de escuta, implementar ações corretivas e melhorar o clima organizacional. “Quando a comissão é bem treinada e valorizada, ela ajuda a reduzir afastamentos, evita passivos trabalhistas e contribui para ambientes mais saudáveis e produtivos”, ressalta Lizandra.
A engenheira enfatiza que a prevenção de riscos psicossociais deve ser uma prática contínua. “Empresas que priorizam a saúde mental e o bem-estar dos colaboradores não apenas cumprem a legislação, mas fortalecem sua cultura interna e promovem sustentabilidade no longo prazo”, conclui.
